COMO É A DESSALINAZAÇÃO DA ÁGUA EM ISRAEL?
Diante
deste cenário fomentado pela ignorância e mal caráter de alguns, este vídeo
propõe explicar e desmistificar a dessalinização da água em Israel.
O
exato método empregado por Israel para a dessalinização da água do mar não está
disponível para o público, mas algumas inferências podem ser feitas com base em
tecnologias já conhecidas.
A
base tecnológica utilizada pelas plantas israelenses é a Osmose Reversa, o
principal processo de dessalinização em termos de capacidade instalada e
crescimento. A Osmose Reversa faz uso de membranas semi-permeáveis e pressão aplicada
no lado da alimentação das membranas para induzir, preferencialmente, a
permeação de água através das estruturas enquanto as mesmas rejeitam os sais.
Os sistemas de membrana de planta de osmose reversa normalmente usam menos
energia do que os processos de dessalinização térmica. Os processos de
dessalinização são conduzidos por qualquer um dos tipos de energia primária
(por exemplo, destilação) ou elétrica, que é o caso da Osmose Reversa. O custo
de energia nos processos de dessalinização varia consideravelmente dependendo
da salinidade da água, tamanho da planta e tipo de processo. Atualmente, o
custo da dessalinização de água do mar, por exemplo, é mais alto do que as
fontes de água tradicionais, mas espera-se que os custos continuem a diminuir com
as melhorias tecnológicas que incluem, mas não se limitam a, eficiência
aprimorada, melhorias na operação e otimização da planta, pré-tratamento mais
efetivo e fontes de energia de menor custo.
A
osmose reversa utiliza uma membrana composta de filme fino, que compreende uma
película fina de poliamida ultrafina e aromática. Este filme de poliamida
fornece à membrana suas propriedades de transporte, enquanto o restante da
membrana composta de filme fino fornece suporte mecânico. O filme de poliamida
é um polímero denso e livre de vazios com uma alta área superficial, permitindo
assim sua alta permeabilidade à água.
O
processo de osmose reversa requer manutenção constante, visto que vários
fatores interferem na sua eficiência, sendo eles a contaminação iônica de
cálcio, magnésio e outros elementos; carbono orgânico dissolvido; bactérias;
vírus; colóides e partículas insolúveis e bioincrustação. Em casos extremos, as
membranas de Osmose Reversa são destruídas. Para mitigar os danos, vários
estágios de pré-tratamento são introduzidos. Os inibidores de incrustações são
formados por ácidos e outros agentes como os polímeros orgânicos Poliacrilamida
e Ácido Polimaleico, Fosfonatos e Polifosfatos. Os inibidores da incrustação
são os biocidas, como o cloro, ozônio, sódio ou hipoclorito de cálcio. Em
intervalos regulares, dependendo da contaminação da membrana; condições de
flutuação da água do mar; ou quando solicitado por processos de monitoramento,
as membranas precisam ser limpas. A lavagem é feita com inibidores em uma
solução de água doce com o sistema em funcionamento parcial ou totalmente
interditado. Este procedimento é ambientalmente arriscado, uma vez que a água
contaminada é desviada para o oceano sem tratamento. Os habitats marinhos
sensíveis podem, nesse cenário, sofrer danos irreversíveis.
A
história diz que a primeira usina de dessalinização da água em Israel abriu em
1997 na cidade de Eliat. Em 2002, sob o impacto da seca, o governo aprovou a
construção de grandes usinas de dessalinização da água na costa mediterrânea.
Essas instalações pretendiam suprir 305 milhões de metros cúbicos de água por
ano até o ano de 2010 e 500 milhões de metros cúbicos por ano de água tratada
até o ano de 2015. Até a metade de 2008, duas usinas com capacidade de 130 milhões
de metros cúbicos por ano estavam em plena operação. Em paralelo a construção
das estações de dessalinização, o governo local introduziu projetos visando a
redução do consumo de água em residências em pelo menos 10 por cento. Em 2012,
a Planta de Dessalinização de Ashkelon tinha a capacidade de converter de
15.000 a 16.000 metros cúbicos de água do oceano por hora, o que compreendia
15% da demanda por água de Israel.
Em
Julho de 2007, o Comissário de Água Uri Shani alertou a respeito de um declínio
na preciptação de água da chuva, um fato que prometia exacerbar a crise hídrica
de Israel. Disse o então Comissário que "a queda do volume de água da
chuva é causada pela contaminação atmosférica, fato este que afeta a composição
das nuvens. Todos os anos registramos uma menor entrada de água no Lago
Kinneret no inverno. Outro fator envolvido nesse fenômeno é a contaminação do
aquífero costeiro, uma vez que reduz a quantidade de água que pode ser
captada."
Em
2007, Mekerot inaugurou a sua avançada Planta Central de Filtração em Eshkol.
Com custo de aproximadamente 100 milhões de dólares, a planta possuí uma
capacidade de filtração que excede 500 milhões de metros cúbicos de água por
ano. É a maior planta da sua categoria em Israel e umas das maiores de todo o mundo.
Em 2008, Mekorot anunciou a instalação de uma quinta expansão da estação com o
intuito de suprir mais 150 milhões de metros cúbicos de água anualmente para
Jerusalém. Em março de 2008, o Ministro Nacional de Infraestruturas, Benjamin
Ben-Eliezer, e o chefe da Autoridade da Água, Uri Shani, começaram a explorar
opções para novas estações de tratamento de águas residuais e reservatórios.
Outra alternativa considerada foram os biorreatores de membrana, que apesar de
serem mais caros, eram menos pesados. Em 2006, o Conselho Regional de Águas
Residuais Dan foi criticado pelo seu plano de incinerar o lodo como método substituto
ao despejo direto no oceano. Críticos afirmavam que o lodo poderia ser melhor
utilizado como fertilizante na agricultura.
Em
julho de 2008, no meio de outra seca, o Knesset estabeleceu uma comissão
estadual de inquérito sobre o lento progresso da dessalinização. A capacidade
de dessalinização foi inferior a um terço do valor definido pelo gabinete,
principalmente devido a uma desaceleração nas licitações após alguns anos de
chuvas relativamente altas. As atividades planejadas de economia de água foram
completamente interrompidas e foram retomadas apenas em 2006, mas em um ritmo
lento. No entanto, uma vigorosa campanha de economia de água foi iniciada com
vídeos de famosos israelenses, como o cantor Ninet Tayeb, o modelo Bar Refaeli
e o ator Moshe Ivgy. A campanha resultou na redução do uso de água em mais de
10%, economizando a construção de uma usina de dessalinização. Em seu relatório
final, em março de 2010, a comissão de inquérito, chefiada pelo ex-juiz Dan
Bein, concluiu que as mudanças eram necessárias na Lei das Águas de 1959. O
Ministério das Finanças foi acusado de ter adiado os planos de dessalinização
argumentando que a conservação e a reutilização de águas residuais deveriam ter
sido implementadas com maior prioridade. Apenas anos depois, o ministério
endossou a dessalinização em grande escala. Diz-se que a Autoridade da Água foi
lenta, intransparente e que não conseguiu coordenar suas relações com os vários
ministérios. O ministro da Infraestrutura, Uzi Landau, endossou o relatório e
anunciou que seu Ministério apresentaria um projeto de lei para reduzir os
poderes da Autoridade da Água e colocá-la mais firmemente sob o controle de seu
Ministério.
Atualmente,
o custo da água tratada em Israel é de 58 centavos de dólares.
Diante
desse cenário, a tecnologia de Israel de dessalinização da água, umas das mais
avançadas do mundo, pode se tornar uma solução aplicável ao Nordeste. Criticar
o presidente Jair Bolsonaro por negligenciar os pequenos projetos já existentes
na região, projetos estes que não conseguem nem sustentar uma pequena
comunidade, é um ato praticado por pessoas que não conhecem os problemas do
nordeste brasileiro e nem a tecnologia israelense. Através de uma aplicação
eficaz, a dessalinização da água pode se tornar um método eficiente para a
independência do povo nordestino.
Fontes:
http://www.emwis-il.org/EN/Water_context/context_12.htm#Desalination
http://www.ibtimes.com/water-sea-risks-and-rewards-israels-huge-bet-desalination-723429
http://www.haaretz.com/hasen/spages/877283.html
http://www.mekorot.co.il/Eng/Mekorot/Pages/MessagefromtheChairman.aspx
http://www.haaretz.com/hasen/spages/972216.html
http://www.zalul.org/en/artical100.asp
http://www.haaretz.com/hasen/spages/1006376.html
http://www.timesofisrael.com/how-israel-beat-the-drought/
http://www.jpost.com/Israel/Article.aspx?id=171733
http://www.globalwaterintel.com/archive/11/4/general/report-reveals-israels-crisis-of-confidence.html
http://www.jpost.com/Israel/Article.aspx?id=171842
https://doi.org/10.1016%2Fj.desal.2006.12.009
https://doi.org/10.1063%2FPT.3.2828
https://doi.org/10.1073%2Fpnas.1804708115

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