QUEM É TEREZA CRISTINA, MINISTRA DO MEIO AMBIENTE CONHECIDA COMO A "MUSA DO VENENO"
Além de ser
uma engenheira agrônoma, a futura Ministra da Agricultura é empresária e líder
da bancada ruralista, uma das bancadas mais relevantes do Parlamento, visto que
possui mais de 200 membros. Ademais, Tereza Cristina foi secretária de
Desenvolvimento Agrário da Produção, da Indústria, do Comércio e do Turismo de
Mato Grosso do Sul durante o governo de André Puccinelli do MDB. Neste ano,
Tereza Cristina foi uma das lideranças que defenderam a aprovação do Projeto de
Lei 6299, projeto este que flexibiliza as regras para fiscalização e aplicação
de agrotóxicos no país.
Este
Projeto de Lei possui alguns pontos polêmicos, e dentre eles está a facilitação
da liberação de novos agrotóxicos. Atualmente para aprovação de um novo produto
químico desse tipo no Brasil é preciso uma tripla análise de três órgãos do
governo: o IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais), a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e o Ministério
da Agricultura Pecuária e Abastecimento. Com a aprovação do projeto, será
criada a Comissão Técnica Nacional de Fitossanitários, órgão que terá a
finalidade de aprovar, ou não, propostas de novos agrotóxicos, seja para
experimento ou utilização comercial. A Comissão será criada no âmbito do
Ministério da Agricultura, com caráter consultivo e deliberativo, e também
teria poderes para regulamentar boa parte da nova lei de agrotóxicos.
Outro ponto
é que projeto pode agravar o risco proveniente dos agrotóxicos à saúde humana. A
atual regra proíbe o registro de defensivos que revelem características
teratogênicas, carcinogênicas, mutagênicas, distúrbios hormonais e danos ao
aparelho reprodutor. O artigo 22 do projeto de lei determina que só seria
proibido o registro de agrotóxicos com as características citadas em caso de
risco inaceitável comprovado cientificamente. Quem defende a aprovação do PL
alega que “com o avanço dos conhecimentos técnicos e científicos, tanto em
âmbito nacional quanto internacional, há outros conceitos que, buscando maior
segurança jurídica, devem ser previstos em Lei, de forma a restringir a margem
de divergência em sua interpretação por todas as partes envolvidas. Assim
sendo, a proposta abrange a inserção, nesse artigo, dos conceitos de produto
novo, produto equivalente e avaliação de risco.” Mas, quem é contra acredita
que os impactos dessa mudança podem ser grandes, porque viabilizaria a
aprovação de agrotóxicos mais agressivos à saúde humana, animal e ao meio
ambiente. Eles também alegam que não está claro o que é “risco aceitável”.
Além disso,
o novo projeto centraliza, ainda mais, o poder da União. Hoje, a mesma é responsável por criar regras
e fiscalizar o cumprimento, mas os estados também têm poderes para criar e
fiscalizar elas. O PL sugere que os poderes dos estados e municípios sejam
diminuídos, havendo centralização de poder na União e impedindo a criação de
regras próprias em cada Estado sobre o tema. Os estados e municípios só poderão
criar leis de forma supletiva, ou seja, onde não houver uma lei específica
feita pela União.
Portanto,
apesar da Tereza Cristina ser uma pessoa competente em sua área, há uma grande
incógnita que envolve o seu apoio ao projeto de lei 6299.

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