O QUE O BNDES ESCONDE E PORQUE ELES TEMEM BOLSONARO

Não é a primeira vez que o BNDES se mete em problemas. O banco é acusado de ser parte em diversos esquemas de corrupção que podem, caso sejam liberados para o público, deixar o mundo inteiro espantado com o que aconteceu no Brasil. Bolsonaro prometeu liberar os documentos mais importantes do BNDES já na sua primeira semana como presidente do Brasil, e isso deixou com medo muitos petistas pelo Brasil todo. Eles, provavelmente, possuem razão em ter medo do que pode acontecer caso os cofres do BNDES sejam abertos para os olhos da nação.

Dono de uma carteira de ativos superior a 70 bilhões de reais, dentre ações, debêntures e títulos de dívida, o banco é atuante nas operações chamadas ‘secundárias’ – aquelas além da compra e venda de ações. Apesar de uma atuação ruim no mercado de ações (o BNDES possuía 10% das ações listadas em bolsa, em 2008), conquistado em boa parte por investimentos de retornos duvidosos, como nas empresas MPX, de Eike Batista, ou mesmo na própria Petrobras, que rendeu um prejuízo de 2,6 bilhões de reais ao banco, o BNDES viu crescer sua atuação no mercado de dívida privada.

O braço de investimentos do banco, o BNDES-par, atuou ativamente em emissões como as do grupo JBS. Em 2009, o banco subscreveu 2 bilhões de dólares em debêntures que viabilizaram a aquisição da americana Pilgrim’s Pride, uma das maiores processadoras de frango do mundo.

A operação de fusão foi uma dentre muitas que o BNDES se envolveu diretamente, algumas delas, como é de costume em fusões e aquisições, resultaram em perdas substanciais de empregos.

Também, o BNDES atuou emprestando recursos a dezenas de países para a execução de mais de 4000 obras. A prática, comum em outras épocas, teve seu volume aumentado de forma exponencial desde 2007. De 2007 a 2014, segundo dados do TCU, o BNDES emprestou mais de 10 bilhões de dólares.
 
O Tribunal questionou judicialmente o banco para que prestasse contas. O banco, porém, recorreu, alegando que a auditoria dos dados poderia expor os clientes privados e tratar-se de quebra de sigilo bancário.

Atualmente, a CPI pretende investigar, entre outras coisas, acusações, como as levantadas pelo senador Aécio Neves, de que o banco teria aceito pesos cubanos como garantia para o empréstimo que resultou na construção do Porto de Mariel.

Segunda maior empresa em faturamento do país, a JBS é possivelmente o mais bem sucedido caso da política de campeões nacionais. Os bilhões alcançados pelo BNDES à empresa permitiram a construção de um verdadeiro império global. Atualmente, mais de 85% da receita da JBS ocorre em dólar, em boa parte graças ao faturamento de suas subsidiárias nos Estados Unidos, na Austrália e na Europa, adquiridas com aportes do braço de investimentos do BNDES.

O que chama a atenção, no entanto, é o apreço que a empesa possui pela democracia – um vez que doou, apenas em 2014, 366 milhões de reais para campanhas diversas, propiciando casos como o da própria CPI do BNDES, que recebeu 5 pedidos de convocação para os donos da companhia. A JBS colaborou com a campanha do relator da CPI.

Como sua relação com o BNDES não se restringe a empréstimos, e sim aquisição de debêntures conversíveis em ações, o BNDES acumulou ao longo dos ano s expressiva participação na empresa, totalizando atualmente 23,2% da JBS, além de outros 10% que hoje se encontram em mãos da Caixa Econômica Federal. Para efeito de comparação, a família Batista, que controla a empresa, possui 41% da mesma.

Portanto, isso significa que o BNDES pode ser o protagonista do maior esquema de corrupção em escala mundial. Resta esperar e saber se o Bolsonaro deve conseguir liberar os documentos do órgão para o Brasil.

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