MAGNO MALTA DEVERIA SER MINISTRO?

Magno Malta quer, ou pelo menos disse que deve ser um Ministro no Governo do Bolsonaro. A nova pasta acomodaria Desenvolvimento Social e Direitos Humanos e outros órgãos que permitiriam uma conexão forte com entidades do campo evangélico e uma atuação ligada a movimentos como o Escola Sem Partido.

Primeiramente, a própria existência desse Ministério deveria ser questionada. A família deve ser protegida e há um esquema nacional que envolve a sua destruição, mas a batalha não se deve dar nesse ramo. O gasto do Poder Executivo com esse Ministério seria desproporcional com o ganho que seria obtido. O combate à destruição da família deveria se dar no ramo da educação, através de métodos que mostram à população o que está em jogo. Não é através de um Ministério que a maior eficiência disso seria alcançada. 

Em outra problemática, há a própria questão se o Magno Malta merece ou não ser Ministro do Bolsonaro. Ele pode até ser um soldado do Capitão neste momento, mas ele já defendeu o Lula e a Dilma abertamente. Ninguém sabe se ele fez isso com boas intenções, ou se ele era de esquerda na época. É desconhecido se ele se arrependeu de ter apoiado essas figuras da política ou não. Talvez ele tenha pensado que o Lula e a Dilma eram boas pessoas, mas na política atual, poucos eleitores do Bolsonaro conseguem perdoar alguém com um histórico similar, tanto que o Magno Malta não conseguiu se eleger senador novamente.

Há também muitas acusações envolvendo o ex-senador. Em setembro de 2018, o ex-cobrador de ônibus Luiz Alves de Lima acusou o político de o ter torturado a ponto de quase ter sido morto, após de o ter acusado de ter estuprado a própria filha. Magno Malta convocou a imprensa acusando o cobrador de estuprador, sendo apresentado pela mídia como o herói que denunciou o caso. Face as provas que indicavam não ter havido violência contra a menor, Luíz Alves de Lima foi absolvido em 2016. Praticamente cego, devido as torturas que foi submetido, e sem condições de voltar a trabalhar, restou-lhe buscar indenização ao Estado, ficando com um pensão de 2 mil reais por mês.

Em 2007, Magno Malta foi envolvido entre os políticos que desviaram recursos públicos destinados para a compra de ambulâncias no Ministério da Saúde. A família Ventoin, dona da empresa Planam, afirmou ter dado um Fiat Ducato para Malta como parte do pagamento de propina pela apresentação e liberação de uma emenda parlamentar para a aquisição de ambulâncias. Chegou a ser indiciado pela CPI dos Sanguessugas mas acabou absolvido na Comissão de Ética do Senado que seguiu o parecer do relator Demóstenes Torres, que orientava arquivamento por falta de provas.

Além disso, há a questão de que Magno Malta anunciou a sua nomeação como Ministro antes do comunicado oficial do Bolsonaro. A esquerda se encontra silenciosa com essa questão, e isso é motivo de preocupação. Se a esquerda não se manifesta contra Magno Malta, há uma enorme probabilidade de que eles estariam felizes com a sua nomeação como Ministro da Família. O PT e outros partidos de esquerda precisam de apenas uma desculpa com bons fundamentos para destruir o futuro governo do Bolsonaro.


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